John Wick | 2014

Dirigido e escrito por nomes novos e não tão conhecidos, John Wick conta a história de um personagem principal homônimo que precisa encarar o passado após sua vida ter sofrido algumas mudanças bem dolorosas.

O elenco é conhecido, temos Keanu Reeves no papel de John Wick, Willem Dafoe, John Leguizamo, Ian McShane e até mesmo Alfie Allen, o famoso Theon Greyjoy de Game of Thrones.

Eu tinha um certo bloqueio com o Keanu Reeves desde que assisti Doce Novembro, um filme que ele faz com Charlize Theron, e pensei que isso fosse me atrapalhar na experiência com John Wick, contudo, para minha surpresa, tive uma ótima experiência e perdi esse tal bloqueio com o ator.

A trilha sonora foi composta por Tyler Bates, que também participou das trilhas sonoras de Guardiões da Galáxia, Watchmen, Sucker Punch, 300 e outros. É simples, mas impecável e tem uma ótima harmonia com o filme, principalmente nas cenas de ação, que aliás são incríveis.

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O filme é extremamente visual e a fotografia é muito interessante, também vale a pena comentar que o filme é considerado um neo-noir, ou seja, um dos representantes do novo noir. Acho justo, o filme tem mesmo essa atmosfera. Uma das coisas que mais me chamaram atenção foi a edição do filme, que coopera com o desenvolvimento frenético e funcional do longa.

É um filme de ação completo, com carros, armas e vingança. Consegue elevar seu expectador à euforia, tem muita, muita adrenalina. Quando eu assisti não sabia muito sobre, apenas fui, e ao começo do filme fui conquistada, me evolvi com a história muito facilmente e enlouqueci nas cenas de ação mais intensas. É muito raro que eu assista filmes de ação, e é algo muito bom quando o filme consegue me agitar de forma positiva, assim como esse o fez.

John Wick é ótimo!

NOTA: star-pointstar-pointstar-pointstar-pointhalf-star-full

 

Perfil Chuck Berry

É com dor no coração que estou publicando esse post hoje, sempre adorei Chuck Berry e estava nos meus planos falar sobre o mesmo aqui no blog, mas vejo o seu falecimento como o momento perfeito de resumir a grande contribuição que eles fez para a música e para o cinema. O que seria de Mia Wallace e Vicent Vega sem You Never Can Tell e de Marty McFly sem Johnny B. Goode?!

Procure na internet sobre Chuck, google it, e você vai ver que em todos os lugares ele é descrito como um dos pioneiros do Rock ‘n Roll, foi eleito pela revista Rolling Stone como o quinto maior artista da música de todos os tempos e o sétimo melhor guitarrista. Foi influenciado por Nat King Cole, Muddy Waters e influenciou uns dos maiores e mais icônicos músicos, os Beatles.

Os garotos de Liverpool já gravaram algumas das músicas de Chuck Berry, mas não foi só aos Beatles que ele influenciou, e também a Bruce Springsteen, The Animals, Deep Purple, Led Zeppelin, Elvis Presley, Rolling Stones (alías Keith Richards é fã declarado), Eric Clapton, dentre outros. Pense no Rock Clássico como o conhecemos hoje, após todos esses anos e todos os grupos que construíram a base da música, Chuck Berry está bem abaixo – e muito elevado -, ele é a raiz.

Até Jimi Hendrix já gravou Chuck.

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Ele é considerado o grande pai do rock. O legado está mais que garantido, foram 21 álbuns de estúdio, uma imensa influência na música e uma grande contribuição ao cinema. Suas músicas estão em filmes que acrescentaram e acrescentam muito ao cinema, filmes verdadeiramente icônicos e importantes.

Tem Chuck Berry em Pulp Ficiton, De Volta Para ao Futuro – isso todo mundo já sabe -, mas também tem Chuck em Esqueceram de Mim. Isso mesmo, ele também fez música de Natal, Run Run Rudolph. Também tem músicas dele em séries como The Sopranos.

Hoje, aos 90 anos, Chuck Berry faleceu. Mas thank God ele deixou isso tudo para nós.

Termino esse post – curtinho, mas de coração ❤ – com uma ótima playlist do Chuck no Spotify, nela tem as músicas mais essenciais.

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R.I.P 

 

 

 

 

Sobre o Oscar 2017

Todos os anos a Academia comete um deslize, isso é certo. Filmes incríveis e extremamente dignos já receberam uma estatueta de Melhor Filme, mas ainda é duvidoso confiar numa premiação que elegeu Birdman e Chicago. A incoerência muitas das vezes está no filme escolhido em comparação aos outros indicados. Ano passado, Spotlight levou o último e mais importante prêmio da noite, não era um filme ruim, também não era o meu favorito, mas não tinha o brilho que todo mundo espera do ganhador do Oscar.

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Esse ano a gafe veio na troca de envelopes com que Faye Dunaway e Warren Beatty tiveram que lidar, mas sendo Moonlight ou La La Land, a 89.ª edição do Oscar continuaria memorável. Ambos são ótimos filmes, e ambos tem jeitinho e “glamour” de ganhador de Oscar.

O prêmio de Melhor Filme Estrangeiro foi para o meu favorito, O Apartamento. Eu não esperava que esse fosse ganhar, mas meu único pensamento era “por favor, Toni Erdmann não”. A vitória de Casey Affleck foi outra surpresa, a despeito dos escândalos que envolvem o ator, Manchester à Beira Mar é um ótimo filme e ele está muito bem.

Já quanto a Melhor Atriz, fiquei satisfeita, mas não era o que eu queria. Minhas dúvidas estavam entre Natalie Portman por Jackie e Isabelle Huppert por Elle, ambas estavam belíssimas em seus respectivos filmes, já eu… Passei longe. Emma Stone está sim muito bem em La la Land, mas…

Nas categorias de Melhor Ator e Atriz Coadjuvante e Melhor Animação os resultados eram esperados (pelo menos pra mim) e completamente bem-vindos. Eu queria muito Mahershala e Viola ganhando os prêmios e todo mundo já sabia que, apesar de Moana e Kubo serem bem legais, Zootopia ia ganhar.

Em suma, a 89.ª edição do Oscar foi equilibrada, com direito a Seu Jorge, Lázaro Ramos e ótimas apresentações do John Legend, Justin Timberlake e Auli’l Cravalho. As surpresas foram boas, a confusão com os papéis deixou tudo mais emocionante e agora eu posso começar a assistir outros filmes (KKKKKKKKK). Porque foi muito tempo assistindo aos indicados, e ainda assim, teve filme bom que ficou de fora das indicações.

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Lion | 2016

Lion é o primeiro filme de Garth Davis, e basta dizer que não é nada mal. Baseado em acontecimentos reais, é quase que impossível não se sentir um tantinho comovido com o filme. Foi indicado a seis categorias do Oscar 2017 e rendeu um BAFTA de Melhor Roteiro Adaptado (e olha que concorreu com A Chegada) e  Melhor Ator Coadjuvante para Dev Patel.

Perfeito o filme não é, mas está um tanto distante de ser ruim. Pode até ser considerado um tanto longo, contudo, o filme te cativa até o final. Eu sempre costumo fazer anotações sobre pontos importantes a respeito das coisas que assisto, mas ao final do filme a folha estava em branco. Fiquei tão interessada na história de Saroo que esqueci das anotações.

Interpretado por Dev Patel e Sunny Pawar, vida adulta e infância, respectivamente, Saroo se perdeu de sua família muito pequeno, de uma pequena cidadezinha na Índia acabou parando em Calcutá, morou na rua, passou por situações extremamente complicadas, mas acabou sendo adotado por Sue (Nicole Kidman) e John (David Wenham), um casal australiano. Isso tudo por si só já confere um peso dramático ao filme, mas a história mesmo é sobre as tentativas de Saroo, já adulto, a reencontrar sua família biológica mais de 25 anos depois.

Em muitos momentos, se não em todos, o coração apertado é inevitável, mas apesar de angustiante não é exatamente de se chorar do começo ao fim. Em momentos mais críticos, é claro, a situação pode apertar para o seu lado, mas um dos pontos mais interessantes do filme é seu equilíbrio dramático. No final não tem jeito, lágrimas vão rolar.

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A trilha sonora é singela, pode não chamar atenção, mas dá proporção ao filme. Temos aqui uma Nicole Kidman que está muito bem, assim como Dev Patel, porém… Sunny Pawar (Saroo criança), Priyanka Bose (Kamla/mãe) e Abhishek Bharate (Guddu/irmão) fazem cenas incríveis, emocionantes, comoventes, de partir o coração.

Gostei do filme, me surpreendeu em muitos aspectos, a história é admirável e – ainda bem – a produção do longa preserva isso. O roteiro foi adaptado do livro A Long Way Home, escrito pelo próprio Saroo Brierley.

Pode ganhar algo no Oscar? Claro, há uma possibilidade. E dependendo da categoria pode ser até compreensível, mas os concorrentes são fortes.

NOTA: star-pointstar-pointstar-pointstar-pointempty-star

 

Moonlight: Sob a Luz do Luar | 2016

Dirigido por Barry Jenkins, Moonlight foi indicado a 6 principais categorias do Oscar 2017, Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator e Atriz Coadjuvante, Melhor Diretor e Melhor Trilha Sonora Original.

O filme é dividido em três atos que separam a infância, adolescência e vida adulta de Chiron, um menino negro que tem sua vida afetada por diversos fatores. Sejam eles, seu comportamento, família ou raça.

A leveza e delicadeza do filme são enfatizadas a todo momento, na fotografia, roteiro e principalmente na trilha sonora. As músicas originais foram compostas por Nicholas Britell, que também já compôs para Free State of Jones, Whiplash e A Grande Aposta.

O drama está principalmente concentrado nas atuações, que comovem, e em alguns casos, deixam um “gostinho de quero mais”. Mahershala Ali está muito bem nesse filme, e é justamente ele quem faz falta em certos momentos.

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Naomi Harris também está em destaque nesse filme, mas é a semelhança física e principalmente na atuação, dos três atores que revezam o papel de Chiron/Black o que unifica de forma surpreendente os três atos do filme. Algumas cenas, principalmente as mais dramáticas, destacam a qualidade do longa.

O roteiro foi adaptado por Berry Jenkins da peça  In Moonlight Black Boys Look Blue de Tarell Alvin McCraney. O nome, que foi resumido, assinala uma das cenas mais marcantes, em que Juan (personagem de Mahershala Ali) cita uma frase memorável:

 

Sob a luz do luar, meninos negros parecem azuis.

Apesar de ser um ótimo (e marcante) filme, não vai entrar na minha listinha de favoritos. Não mexeu comigo tanto quanto deveria para ocupar um lugar especial no meu coração, a despeito de sua qualidade, é claro.

 NOTA: star-pointstar-pointstar-pointstar-pointempty-star

A Abadia de Northanger | Jane Austen

Partindo da ideia de que os romances de Austen são “água com açúcar”, de todas as obras da autora, A Abadia de Northanger é o que melhor pode ser descrito dessa forma, e que ao mesmo tempo, com o avançar das páginas, se afasta dessa definição.

Nas páginas desse livro, somos apresentados a Catherine Morland, a heroína menos provável e mais desadequada dos romances clássicos, que deixa sua família no campo para passar um tempo em Bath. Durante sua estadia, Catherine conhece duas famílias relevantes durante a história, os Thorpe e os Tilney.

Dos Thorpe, faz amizade com Isabella, uma moça mais velha que claramente tem muito interesse em rapazes, inclusive no irmão de Catherine, e John, irmão de Isabella e um falastrão com objetivos artificiais para a vida. Com os Tilney, Catherine achou paixão em Henry e uma delicada e sincera amizade em crescimento com Eleanor.

A Abadia de Northanger foi publicado pela primeira vez em 1817, numa edição junto a Persuasão e a diferença entre ambos é mais que evidente. No primeiro temos uma das heroínas mais novas de Jane Austen, Catherine, e no segundo temos a heroína mais velha de Jane, Anne Elliot. A idade de ambas é uma das maiores influências para o desenvolvimento de suas narrativas, enquanto Nothanger Abbey é mais leve e com tendência para a comédia, a intensidade de Persuasão é uma de suas melhores características.

Embora eu ame a escrita e os trabalhos de Jane Austen, A Abadia de Northanger é sua história mais fraca. A ironia, as críticas e as surpresas durante as histórias são ótimas, mas há um conflito do que é o foco da narrativa. É mais do que claro o crescimento e amadurecimento de Catherine durante o livro, mas seu relacionamento com Henry é pouco abordado, e o que deveria ser o ápice (a declaração do romance entre os dois) acaba confuso em meio a uma enxurrada de descobertas a respeito de toda a história.

Se você já está acostumado com os costumes e linguagem da época, é uma leitura deliciosa e rápida, mas se você ainda não conhece as nuances da Era Regencial e dos romances de Jane Austen, A Abadia de Northanger é o livro perfeito para começar.

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NOTA: star-pointstar-pointstar-pointhalf-star-fullempty-star

 

A Tartaruga Vermelha

Produzido pelo memorável Studio Ghibli (A Viagem de Chihiro/Meu Amigo Totoro) que é um ás em produzir animações lindas e extremamente fofas, A Tartaruga Vermelha foi indicado ao Oscar 2017, junto a Zootopia, Kubo e a Espada Mágica, Moana e Minha Vida de Abobrinha. A direção é de Michaël Dudok de Wit, que já ganhou um Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animação e um BAFTA em 2001 por Pai e Filha.

A Tartaruga Vermelha é um filme sem diálogos, e seu enredo é sobre um náufrago que depois de uma tempestade acaba numa ilha desconhecida. Após algumas tentativas arruinadas de construir uma jangada e navegar de volta pra casa, ele descobre que era uma grande tartaruga vermelha quem sempre o atrapalhava. Naturalmente, ele fica extremamente irritado com o animal, mas logo em seguida, a tartaruga sofre uma transformação completamente inacreditável.

Os traços são extremamente delicados e graciosos. A despeito de ser um filme sem diálogos, ele não é chato ou monótono. Mas penso que talvez não seja uma animação que as crianças irão gostar, é um filme para os mais crescidinhos.

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A história tem um quê de fantasia, um tanto absurdo, mas interessante, e num contexto geral, a história é muito bonita. Apesar de partir o coração em alguns momentos. É um filme muito leve, e se desenvolve rapidamente, sem enrolação. Sendo assim, seus 80 minutos se passam de forma muito agradável.

Eu tenho uma certa resistência para gostar de animação, mas os longas posteriormente produzidos pelo Studio Gihbli conquistaram um lugar no meu coração. Foi o mesmo com A Tartaruga Vermelha, não gostei tanto quanto gosto de Meu Vizinho Totoro ou Memórias de Marnie, mas os estilos são diferentes e este é um filme igualmente bem feito.

NOTA: star-pointstar-pointstar-pointstar-pointempty-star