Your Name (Kimi no na wa)

Previsto para lançar nos cinemas brasileiros dia 11 de Outubro, Your Name é o novo filme do animador japonês Makoto Shinkai. Arrecadando mais de US$ 354 milhões ao redor do mundo, é o anime de maior bilheteria na história do Japão. Além de ter ultrapassado A Viagem de Chihiro, se tornou o filme japonês com maior arrecadação de todos os tempos.

O longa conta a história de dois jovens, Taki e Mitsuha, que têm suas vidas entrelaçadas por estranhos acontecimentos. Passeando entre o drama adolescente e a ficção científica, o filme inicia caminhando para um clichê mas se prova o completo oposto a partir do segundo ato.

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Os traços da animação são encantadores e me lembraram um pouco os filmes do Hayao Miyazaki, que eu particularmente gosto muito. O roteiro é bem interessante e tem uma ótima construção, a princípio pensei que o filme seria um Se Eu Fosse Você versão anime adolescente, mas o filme supera isso. As reviravoltas são bem orgânicas, e você se envolve quase que sem querer.

As músicas do filme foram feitas por uma banda japonesa de rock, Radwimps. A trilha sonora me incomodou um pouco, talvez pela minha falta de costume com músicas japonesas, mas o momento em que as mesmas foram inseridas foi um tanto incômodo pra mim.

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No geral, é um filme extremamente agradável e emocionante. Fui absorvida pela história sem nenhum esforço e ao final partilhei da mesma dor dos personagens. No terceiro ato parece que o filme vai acabar no chorinho, mas o final é ótimo! Para quem tem pouquíssima experiência e sensibilidade com animes, tive uma ótima experiência.

Algo muito interessante é a novidade de que o filme vai ganhar uma versão live-action produzida pelo J.J. Abrams, ou seja, é uma ótima oportunidade para valorizar o lado sci-fi da animação. Estou na torcida pra que a qualidade se mantenha!

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NOTA: star-pointstar-pointstar-pointstar-pointhalf-star-full

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Death Note (Live Action) | Netflix

Death Note é um dos animes/mangás mais populares da cultura pop, e não deve-se esperar menos de um enredo extremamente sedutor; onde um aluno do ensino médio descobre uma forma um tanto atípica de fazer justiça com as próprias mãos. Num caderno no mínimo obscuro, ele escreve o nome e escolhe a forma com que a pessoa morrerá. A dúvida se o garoto sairá impune e a incerteza a respeito do caráter dele não são, nem de longe, as melhores coisas abordadas pela história.

Eu entendo pouquíssimo acerca de animes, e mesmo tendo interesse, me aventurei de forma muito rasa na cultura asiática. Assisti Death Note em 2015, o que foi bem tardio dado o sucesso, foi o segundo anime que assisti em toda a vida. A verdade é que nunca tive interesse nesse tipo de animação e a qualidade da série foi uma surpresa. Posteriormente assisti outros animes, claro, mas nenhum me surpreendeu tanto quanto Death Note. Mesmo tendo gostado, não me tornei nenhuma fã de carteirinha ou algo do tipo, mas não precisa ser muito fã para temer a ideia de uma adaptação live action.

Gostaria de chamar o filme da Netflix de forma diferente, de maneira que fique mais fácil pra mim e pra vocês distinguirem entre a série e o live action. Abreviarei o filme para DN, que tal?

O esperado era que o filme fosse um total fiasco, ou que chegasse perto, não digo que chegou lá, mas passou raspando. Minha expectativa estava baixíssima pra esse filme, melhor dizendo… Ela sequer existia. O que foi muito bom pra que eu não ficasse mais decepcionada ainda com algumas coisas.

Mas não se desespere.

Existem coisas boas em DN.

E existe todo o resto.

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Logo no início fica claro que a arte se manteve muito parecida com a do anime. O que foi bem legal, a arte realmente estava boa. A produção num contexto geral foi agradável, edição, trilha sonora e principalmente a fotografia, que é promissora. Não exatamente brilhante, mas boa. A trilha sonora foi algo de que gostei bastante, e em certas cenas ela é um acalento, realmente faz muita diferença e acrescenta emoção.

Ainda falando nas coisas boas, Willem Dafoe como Ryuk é algo sensacional! Mas pouquíssimo explorado, é péssimo clamar mentalmente por mais aparições dele. Isso é algo que se aproxima muito com Death Note, Ryuk é um dos melhores personagens no anime e aqui também, inclusive, mesmo aparecendo pouquíssimas vezes, ele é melhor que muita coisa e por aí vai.

O L é outra coisa positiva em DN. Meu medo era que essa adaptação se distanciasse muito da essência do L do anime, que é meu personagem favorito, mas isso não foi um dos pontos negativos. E a despeito dos receios relacionados à etnia do ator, esqueçam… O rapaz, Keith Stanfield, está bem. Manteve-se toda aquela – ótima, diga-se de passagem – esquisitice do doce e do modo de sentar.

Já o Light e a menina, Mia, são outros quinhentos. Quero deixar bem claro que não é um problema de atuação de ambos, mas sim do roteiro. E é aqui que entra minha crítica mais firme, DN é um romance dramático colegial, em contraste com Death Note. Em meio a muitas coisas que deveriam ser desenvolvidas (como o joguinho de gato e rato entre L e Light), o principal conflito é entre o casal e eles estão completamente loucos no poder do caderninho.

Como se essa falta de desenvolvimento já não fosse ruim o suficiente, o final, meus amigos… O final é péssimo.

Tenho a impressão de que rolou um deus ex machina ali, sujamente escondido, mas pra mim ainda está lá. A tentativa foi decolar, fica claro, mas comigo não rolou. Sorry guys.

Sendo assim, DN enfatizou para mim a qualidade do anime e deixo como recomendação para os que ainda não assistiram.

 

NOTA: star-pointstar-pointempty-starempty-starempty-star

 

Defensores | Netflix

Situado em Nova York e dando continuidade à segunda temporada de Demolidor, Defensores une Matt Murdock, Jessica Jones, Luke Cage e Danny Rand (Punho de Ferro) numa equipe um tanto problemática, mas muito funcional. Os protagonistas que antes vimos em suas respectivas séries agora se veem unidos com o mesmo objetivo, salvar a cidade do Tentáculo.

Aproveite. Esse post é livre de spoilers!

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Com uma trama sendo construída desde 2015 (com o lançamento da primeira temporada de Demolidor), Defensores tem muita coisa boa… Mas não é impecável.

O desenvolvimento é bem orgânico , a série conta com apenas oito episódios e esse número foi o adequado para que a narrativa engatasse e fechasse perfeitamente, indo muito além do detalhe que séries curtas são mais atrativas.

Apesar da sensação de que é necessário assistir as séries solo dos heróis para entender, a verdade é que apenas a série do Demolidor é essencial pra compreensão da história. Mas isso não torna menos interessante as referências cruzadas, é ótimo ver personagens secundários de Jessica Jones interagindo com outros secundários de Luke Cage, por exemplo.

E é justamente essa maior significância do Demolidor para a série que deixa claro que apesar de unidos para combater o mesmo inimigo, a luta é mais de uns que de outros. A equipe têm química e bastante humor, e apesar de um tanto problemáticos, a parceria dá certo. Num contexto geral, a individualidade cada um dos heróis é bastante respeitada e durante os episódios, transitamos entre nostalgia e saudade das outras séries, principalmente das mais antigas, como Jessica Jones e Demolidor.

No que diz respeito às atuações, temos uma vilã extremamente elegante e cativante e um sério problema com o Punho de Ferro, o que pra mim foi um dos defeitos da série. Na verdade, não fica claro se a falha é na construção do Danny Rand, do intérprete ou de ambos. Eu particularmente não assisti a série solo do Punho de Ferro, e também não sinto vontade para tal, mas me senti muito incomodada com os momentos dele em Defensores.

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A trilha sonora é muito boa, quase promissora, por exceção a uma única cena em que um hip hop quebrou a tensão necessária em uma cena de ação. A fotografia e edição são ótimas e muito bem feitas, assim como a abertura, que é belíssima.

Em suma, é uma boa temporada. Tem seus defeitos, mas ainda é eficaz em transmitir o necessário. Pode ser rapidamente assistida e tem ótimos ganchos, o que a torna interessante e até mesmo surpreendente nos momentos certos.

Apesar de gostar muito de Demolidor e (principalmente) Jessica Jones, não estava com muita expectativa para Defensores, ainda assim, foi um pouquinho abaixo do que eu esperava. Seu perigo e seu trunfo é a sensação de ser uma continuação de Demolidor com participações especiais.

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John Wick | 2014

Dirigido e escrito por nomes novos e não tão conhecidos, John Wick conta a história de um personagem principal homônimo que precisa encarar o passado após sua vida ter sofrido algumas mudanças bem dolorosas.

O elenco é conhecido, temos Keanu Reeves no papel de John Wick, Willem Dafoe, John Leguizamo, Ian McShane e até mesmo Alfie Allen, o famoso Theon Greyjoy de Game of Thrones.

Eu tinha um certo bloqueio com o Keanu Reeves desde que assisti Doce Novembro, um filme que ele faz com Charlize Theron, e pensei que isso fosse me atrapalhar na experiência com John Wick, contudo, para minha surpresa, tive uma ótima experiência e perdi esse tal bloqueio com o ator.

A trilha sonora foi composta por Tyler Bates, que também participou das trilhas sonoras de Guardiões da Galáxia, Watchmen, Sucker Punch, 300 e outros. É simples, mas impecável e tem uma ótima harmonia com o filme, principalmente nas cenas de ação, que aliás são incríveis.

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O filme é extremamente visual e a fotografia é muito interessante, também vale a pena comentar que o filme é considerado um neo-noir, ou seja, um dos representantes do novo noir. Acho justo, o filme tem mesmo essa atmosfera. Uma das coisas que mais me chamaram atenção foi a edição do filme, que coopera com o desenvolvimento frenético e funcional do longa.

É um filme de ação completo, com carros, armas e vingança. Consegue elevar seu expectador à euforia, tem muita, muita adrenalina. Quando eu assisti não sabia muito sobre, apenas fui, e ao começo do filme fui conquistada, me evolvi com a história muito facilmente e enlouqueci nas cenas de ação mais intensas. É muito raro que eu assista filmes de ação, e é algo muito bom quando o filme consegue me agitar de forma positiva, assim como esse o fez.

John Wick é ótimo!

NOTA: star-pointstar-pointstar-pointstar-pointhalf-star-full

 

Perfil Chuck Berry

É com dor no coração que estou publicando esse post hoje, sempre adorei Chuck Berry e estava nos meus planos falar sobre o mesmo aqui no blog, mas vejo o seu falecimento como o momento perfeito de resumir a grande contribuição que eles fez para a música e para o cinema. O que seria de Mia Wallace e Vicent Vega sem You Never Can Tell e de Marty McFly sem Johnny B. Goode?!

Procure na internet sobre Chuck, google it, e você vai ver que em todos os lugares ele é descrito como um dos pioneiros do Rock ‘n Roll, foi eleito pela revista Rolling Stone como o quinto maior artista da música de todos os tempos e o sétimo melhor guitarrista. Foi influenciado por Nat King Cole, Muddy Waters e influenciou uns dos maiores e mais icônicos músicos, os Beatles.

Os garotos de Liverpool já gravaram algumas das músicas de Chuck Berry, mas não foi só aos Beatles que ele influenciou, e também a Bruce Springsteen, The Animals, Deep Purple, Led Zeppelin, Elvis Presley, Rolling Stones (alías Keith Richards é fã declarado), Eric Clapton, dentre outros. Pense no Rock Clássico como o conhecemos hoje, após todos esses anos e todos os grupos que construíram a base da música, Chuck Berry está bem abaixo – e muito elevado -, ele é a raiz.

Até Jimi Hendrix já gravou Chuck.

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Ele é considerado o grande pai do rock. O legado está mais que garantido, foram 21 álbuns de estúdio, uma imensa influência na música e uma grande contribuição ao cinema. Suas músicas estão em filmes que acrescentaram e acrescentam muito ao cinema, filmes verdadeiramente icônicos e importantes.

Tem Chuck Berry em Pulp Ficiton, De Volta Para ao Futuro – isso todo mundo já sabe -, mas também tem Chuck em Esqueceram de Mim. Isso mesmo, ele também fez música de Natal, Run Run Rudolph. Também tem músicas dele em séries como The Sopranos.

Hoje, aos 90 anos, Chuck Berry faleceu. Mas thank God ele deixou isso tudo para nós.

Termino esse post – curtinho, mas de coração ❤ – com uma ótima playlist do Chuck no Spotify, nela tem as músicas mais essenciais.

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R.I.P 

 

 

 

 

Sobre o Oscar 2017

Todos os anos a Academia comete um deslize, isso é certo. Filmes incríveis e extremamente dignos já receberam uma estatueta de Melhor Filme, mas ainda é duvidoso confiar numa premiação que elegeu Birdman e Chicago. A incoerência muitas das vezes está no filme escolhido em comparação aos outros indicados. Ano passado, Spotlight levou o último e mais importante prêmio da noite, não era um filme ruim, também não era o meu favorito, mas não tinha o brilho que todo mundo espera do ganhador do Oscar.

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Esse ano a gafe veio na troca de envelopes com que Faye Dunaway e Warren Beatty tiveram que lidar, mas sendo Moonlight ou La La Land, a 89.ª edição do Oscar continuaria memorável. Ambos são ótimos filmes, e ambos tem jeitinho e “glamour” de ganhador de Oscar.

O prêmio de Melhor Filme Estrangeiro foi para o meu favorito, O Apartamento. Eu não esperava que esse fosse ganhar, mas meu único pensamento era “por favor, Toni Erdmann não”. A vitória de Casey Affleck foi outra surpresa, a despeito dos escândalos que envolvem o ator, Manchester à Beira Mar é um ótimo filme e ele está muito bem.

Já quanto a Melhor Atriz, fiquei satisfeita, mas não era o que eu queria. Minhas dúvidas estavam entre Natalie Portman por Jackie e Isabelle Huppert por Elle, ambas estavam belíssimas em seus respectivos filmes, já eu… Passei longe. Emma Stone está sim muito bem em La la Land, mas…

Nas categorias de Melhor Ator e Atriz Coadjuvante e Melhor Animação os resultados eram esperados (pelo menos pra mim) e completamente bem-vindos. Eu queria muito Mahershala e Viola ganhando os prêmios e todo mundo já sabia que, apesar de Moana e Kubo serem bem legais, Zootopia ia ganhar.

Em suma, a 89.ª edição do Oscar foi equilibrada, com direito a Seu Jorge, Lázaro Ramos e ótimas apresentações do John Legend, Justin Timberlake e Auli’l Cravalho. As surpresas foram boas, a confusão com os papéis deixou tudo mais emocionante e agora eu posso começar a assistir outros filmes (KKKKKKKKK). Porque foi muito tempo assistindo aos indicados, e ainda assim, teve filme bom que ficou de fora das indicações.

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Lion | 2016

Lion é o primeiro filme de Garth Davis, e basta dizer que não é nada mal. Baseado em acontecimentos reais, é quase que impossível não se sentir um tantinho comovido com o filme. Foi indicado a seis categorias do Oscar 2017 e rendeu um BAFTA de Melhor Roteiro Adaptado (e olha que concorreu com A Chegada) e  Melhor Ator Coadjuvante para Dev Patel.

Perfeito o filme não é, mas está um tanto distante de ser ruim. Pode até ser considerado um tanto longo, contudo, o filme te cativa até o final. Eu sempre costumo fazer anotações sobre pontos importantes a respeito das coisas que assisto, mas ao final do filme a folha estava em branco. Fiquei tão interessada na história de Saroo que esqueci das anotações.

Interpretado por Dev Patel e Sunny Pawar, vida adulta e infância, respectivamente, Saroo se perdeu de sua família muito pequeno, de uma pequena cidadezinha na Índia acabou parando em Calcutá, morou na rua, passou por situações extremamente complicadas, mas acabou sendo adotado por Sue (Nicole Kidman) e John (David Wenham), um casal australiano. Isso tudo por si só já confere um peso dramático ao filme, mas a história mesmo é sobre as tentativas de Saroo, já adulto, a reencontrar sua família biológica mais de 25 anos depois.

Em muitos momentos, se não em todos, o coração apertado é inevitável, mas apesar de angustiante não é exatamente de se chorar do começo ao fim. Em momentos mais críticos, é claro, a situação pode apertar para o seu lado, mas um dos pontos mais interessantes do filme é seu equilíbrio dramático. No final não tem jeito, lágrimas vão rolar.

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A trilha sonora é singela, pode não chamar atenção, mas dá proporção ao filme. Temos aqui uma Nicole Kidman que está muito bem, assim como Dev Patel, porém… Sunny Pawar (Saroo criança), Priyanka Bose (Kamla/mãe) e Abhishek Bharate (Guddu/irmão) fazem cenas incríveis, emocionantes, comoventes, de partir o coração.

Gostei do filme, me surpreendeu em muitos aspectos, a história é admirável e – ainda bem – a produção do longa preserva isso. O roteiro foi adaptado do livro A Long Way Home, escrito pelo próprio Saroo Brierley.

Pode ganhar algo no Oscar? Claro, há uma possibilidade. E dependendo da categoria pode ser até compreensível, mas os concorrentes são fortes.

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